A culpa que carregamos
- Mar 17, 2025
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Updated: Jun 18, 2025
Meu nome é Livia, tenho 38 anos e sou mãe solo de uma menina de dois.
Eu me tornei mãe solo quando a minha bebê tinha 6 meses, mas pensando bem, foi muito antes disso. Eu me tornei mãe solo no exato segundo em que me tornei mãe, eu nunca tive uma parceria de fato.
Acredito que existam muitas de nós e que assim como eu, enfrentam todos os dias o peso das nossas (más) escolhas. O “más” vem apenas baseado em opiniões alheias, não existe uma parte de mim que considere o que quer que tenha acontecido para hoje ter minha filha exatamente do jeitinho que ela é como uma má “qualquer coisa”.
A partir de hoje, escreverei o que me vier à cabeça relacionado ao que vivo com relação a essa “condição” de mãe solo, e se escrevo é porque me ajuda a colocar para fora sem ter que alugar ninguém (apesar de já muito ter feito isso) e porque creio que muitas de nós compartilhamos dos mesmos pensamentos, porque acho que ao ler estórias semelhantes não nos sentimos tão sós, porque penso que colocar para fora ajuda a cicatrizar feridas, porque acredito que ao compartilhar minhas vivências posso estar ajudando alguém a falar também (porque não?), porquê nós não merecemos essa culpa, porquê nós não escolhemos isso, enfim, são tantos os motivos para falar...
Hoje, graças a Deus, não tenho nenhum problema em falar sobre o que passei e passo. Essa história não me torna em nada inferior, não me causa constrangimento e nem vergonha apesar de parecer que pela percepção alheia eu deveria escondê-la, eu não vejo motivos para fazer isso. É aquela velha história: Por que quem é traído é ridicularizado e não quem cometeu o ato? A gente só espera do outro o que somos capazes de proporcionar então porque a pessoa que se entrega, que confia, que acredita fica mal vista e o outro sai ileso mesmo tendo cometido atrocidades?
Ok, vamos por um minuto imaginar que sim, nós escolhemos mal o pai dos nossos filhos. Alguém já parou para pensar que se esses mesmos homens tivessem sido educados para serem boas pessoas, terem caráter, respeitarem suas parceiras, se tornarem homens de verdade, adultos funcionais ou seja lá qual for o seu caso, nós não precisaríamos escolher tanto? Se toda uma geração de pessoas não tivesse criado homens fracos, porém MUITO “homens” em frente a uma mulher, mas que não sabem nem lavar a própria cueca, nós não nos encontraríamos em determinadas situações?
Então eu digo com todas as letras e com toda a certeza que me cabe neste momento: “NÃO, A RESPONSABILIDADE PELO QUE ACONTECEU NÃO É NOSSA”, agora você pode deixar essa culpa e ficar em paz.
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